O que fazer no seu consultório em caso de acidente por exposição ao sangue (AES)

23 de agosto de 2024
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O acidente de exposição ao sangue

Todos os dias, nas nossas práticas, manuseamos todo o tipo de instrumentos perigosos que aumentam o risco de cortes. Esta ameaça que paira sobre nós, profissionais de saúde e quiropodistas, pode manifestar-se a qualquer momento.

Durante qualquer acidente grave, o Podólogo fica exposto ao risco de contato com o sangue do paciente. Segundo o centro de coordenação dos comités de luta contra as infecções nosocomiais (CCLN) de Bordéus, um acidente de exposição ao sangue (AES) resulta em qualquer contacto com sangue ou fluido biológico contaminado que ocorre por ruptura da pele, por projecção numa membrana mucosa ou na pele danificada.

Este assunto está no cerne da nossa profissão, por isso a My Podologie quer falar com você sobre isso.

O protocolo AES

O protocolo em caso de acidente com exposição a sangue é um procedimento rigoroso que permite limitar e cuidar o mais cedo possível todos os riscos ligados ao contacto com o fluido biológico de outro indivíduo. Está subdividido em 6 etapas principais, cada uma com uma função importante.

1. Interrompa imediatamente o ato de cuidar

O momento da consciência do acidente ocorre quando o profissional de saúde reconhece ter sofrido perfuração, corte, contato com pele lesionada ou mesmo projeção em suas mucosas oculares com sangue ou fluido biológico contaminado de seu paciente. Lidar com a emergência é uma necessidade absoluta. É por isso que o Podólogo-Podólogo deve interromper absolutamente o seu tratamento para se concentrar na execução das etapas do protocolo AES.

2. Realize procedimentos de primeiros socorros

Você toma as primeiras ações de emergência: 

Para casos de picadas, cortes e contato com pele danificada...

O objetivo principal é não fazer a ferida sangrar. Em seguida, você comprime a área lesionada com uma compressa estéril. Limpe a ferida ou área de contato com água e sabão líquido neutro. Enxágue generosamente com água e seque com uma compressa estéril.

Realizar antissepsia da área lesionada aplicando solução antisséptica (Dakin estabilizado, Betadine dérmico, álcool modificado 70°) por 5 minutos. Você pode mergulhar a área afetada em uma solução anti-séptica ou aplicar um pano embebido até a saturação.

Para o caso de projeção nas mucosas oculares...

Enxágue generosamente os olhos com água ou soro fisiológico por pelo menos 5 minutos.

3. Contate as pessoas apropriadas

Tenha em atenção que a situação de saúde que vivemos hoje não é motivo para excluir a visita de um médico ao hospital em caso de AES. Você pode ir lá porque é uma emergência. As pessoas a contactar nesta fase do protocolo são os serviços de urgência ou o representante médico da AES.

Nas 4 horas seguintes ao acidente você deve:

- Faça um exame de sangue para examinar a sorologia de certos tipos de vírus (HIV, HBV, HCV).
- Avaliar o risco infeccioso, observando o tipo de lesão e a situação sorológica do paciente.
- Possivelmente iniciar tratamento profilático* em acordo com o médico solicitante.

*Conjunto de meios médicos implementados para prevenir o aparecimento, agravamento ou propagação de doenças.

4. Notifique o acidente de trabalho

Dois casos diferentes devem ser apresentados:

Para funcionários...

Você deve comunicar o acidente de trabalho ao seu empregador no prazo máximo de 24 horas.

Para profissionais liberais e empregadores...

O acidente de trabalho deverá ser comunicado no prazo máximo de 48 horas. O empregador deverá enviar comprovante médico (atestado) à CPAM para atender às condições. O profissional de saúde autônomo deverá fazer o mesmo entrando em contato com o seu seguro.

5. Acompanhamento da pessoa ferida ao longo do tempo

Depois de cumpridos todos os passos anteriores, o estado do profissional de saúde deverá ser verificado por um médico, que deverá verificar cuidadosamente os exames complementares do acidentado (sorologias) e eventuais sinais clínicos atípicos.

6. Analise e dê um passo atrás em relação ao seu acidente

É importante dar um passo atrás em relação ao que pode ter acontecido para poder apontar o que levou à ocorrência deste acidente. Este tempo de reflexão pessoal permitirá ao praticante modificar o seu comportamento no consultório caso tenha causado este acidente.

Algumas precauções

Para conseguir a correta implementação do protocolo AES o mais rapidamente possível, a ONPP (Ordem Nacional dos Podólogos-Podologistas) tornou obrigatória a visualização dos dados de contacto do médico referenciador da AES e do centro hospitalar (Urgência) mais próximo nos consultórios de Pedicura-Podologia.

É importante lembrar que todos os equipamentos OPCT (objetos perfurocortantes) são provavelmente causadores de contaminação, seja nos cuidados de pedicure ou no seu processo de descontaminação.

Como todos sabemos, nunca devemos extrair o bisturi, a goiva ou outras lâminas manualmente, mesmo que estejamos usando luvas de tratamento. Podemos separar as diferentes lâminas dos diferentes cabos utilizando alicates ou mesmo extratores de lâminas concebidos para este fim?

Para concluir

A Minha Podologia espera simplesmente que você nunca precise recorrer ao protocolo explicado acima! Cuide-se !

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